A Big Idea
Essa aula, junto com a próxima, faz parte do método de escrita que eu aprendi com Kauê Tupinambá.
Eu não cheguei a usar esse método no meu vídeo de Blue Lock, mas utilizei no vídeo que estou fazendo agora, de Tokyo Ghoul, e pretendo continuar usando nos próximos. Com o tempo, se eu encontrar alguma coisa que funcione melhor para mim, vou trazer aqui para você.
É um método que facilita muito a organização da escrita. Ele deixa mais claro o que você precisa fazer, agiliza todo o processo e torna muito mais fácil construir um roteiro. Inclusive, é um método simples que roteiristas profissionais usam até para receber informações dos clientes e organizar o trabalho.
A grande ideia do vídeo
A primeira parte é a Big Idea, ou “grande ideia” do vídeo.
Depois que você já garimpou uma ideia na gringa, definiu o tema e criou a thumbnail, a Big Idea serve como um norte para a construção do roteiro. Como a introdução precisa satisfazer a promessa da thumbnail, você já tem uma direção clara antes mesmo de começar a escrever.
Criar uma Big Idea significa resumir, em um parágrafo ou até uma página, tudo o que você quer que exista naquele vídeo.
O que colocar na Big Idea
No vídeo de Blue Lock, por exemplo, a Big Idea poderia ser algo como:
Contar a história do anime abordando o tema principal do egoísmo e todas as lições que podem ser relacionadas à vida, como competitividade, sorte, medo, o conceito do último da fila e qualquer outra ideia importante que faça parte da mensagem do vídeo.
A ideia não é escrever o roteiro inteiro, mas registrar uma visão geral de tudo o que você quer desenvolver.
Não comece escrevendo sem direção
Isso serve para evitar um erro muito comum.
Muita gente decide fazer um vídeo sobre procrastinação, abre um documento em branco e começa simplesmente a escrever tudo o que sabe sobre o assunto.
Quando termina, percebe que o texto ficou desorganizado e nem sabe mais para onde seguir. Esse não é o jeito que escritores profissionais trabalham.
Pense como um autor escreve um livro
Um autor não começa escrevendo a primeira página do livro sem planejamento.
Primeiro ele define o tema principal da obra. Depois organiza as grandes partes do conteúdo e separa os capítulos. Só então começa a escrever cada um deles.
No livro O Poder do Hábito, por exemplo, existe um tema central. A partir dele, o autor divide o conteúdo em partes e capítulos específicos, como hábitos individuais, hábitos das organizações e outros assuntos relacionados.
Cada capítulo desenvolve uma parte da ideia principal.
Primeiro organize, depois escreva
O autor não escreve um capítulo inteiro e só depois pensa no próximo.
Antes de começar, ele já sabe quais assuntos quer abordar, organiza essa estrutura e só então desenvolve cada parte separadamente.
É exatamente essa lógica que a Big Idea traz para a construção de um roteiro.
A Big Idea facilita a organização
Depois de escrever um resumo com tudo o que você quer colocar no vídeo, fica muito mais fácil extrair os capítulos.
A Big Idea praticamente entrega quais serão os tópicos que você vai desenvolver ao longo do roteiro.
Isso acontece porque o ser humano gosta de organização. Existe uma necessidade quase subconsciente de consumir conteúdos que seguem uma estrutura clara.
Transforme a Big Idea em capítulos
Quando você entra em um vídeo do YouTube e vê os capítulos separados por assunto, a experiência fica muito melhor do que simplesmente assistir alguém falando de forma completamente aleatória.
Essa é a primeira função da Big Idea: facilitar a organização do roteiro e permitir que você extraia naturalmente os tópicos ou capítulos do vídeo.
A Big Idea também orienta a pesquisa
Depois que você transforma a Big Idea em capítulos, acontece uma segunda vantagem.
Você passa a saber exatamente o que precisa pesquisar. Cada tópico vira uma direção clara para o seu estudo, evitando que você consuma conteúdo sem propósito.
Vou dar um exemplo usando a Big Idea do meu próximo vídeo.
Um exemplo prático
É um vídeo sobre Tokyo Ghoul, em que percorro a história do Kaneki e tudo o que é relevante para mostrar como ele chegou ao momento da tortura e como conseguiu sair dele.
Além disso, quero falar sobre escolhas, fundo do poço, como ser bonzinho pode não ser algo positivo, a frase do Jason, o peso do arrependimento e fazer paralelos entre a história do Kaneki e a vida.
Só de escrever isso, eu já tenho um mapa completo do que preciso estudar antes de começar o roteiro.
Cada tópico vira uma pesquisa
Quando olho para essa Big Idea, já sei exatamente o que procurar.
Se existe um capítulo sobre fundo do poço, pesquiso esse assunto. Se existe um capítulo sobre dor, procuro estudos sobre dor e neurociência. Se quero falar sobre ser bonzinho, pesquiso esse tema especificamente.
Cada parte da Big Idea gera uma pesquisa diferente.
Pesquise e organize por capítulos
Depois de separar os tópicos, basta pesquisar cada um deles.
Como meus vídeos são sobre animes, uma parte da pesquisa consiste em ler o mangá novamente e separar apenas os momentos mais importantes da história.
Tudo aquilo que considero relevante vai sendo colocado abaixo do capítulo correspondente dentro do documento do roteiro.
Construa um banco de informações
O processo fica bem simples.
Você escolhe um tópico, pesquisa sobre ele e coloca as informações logo abaixo daquele capítulo.
Depois faz o mesmo com o próximo tópico. Pesquisa, organiza e adiciona ao documento.
No final, você terá várias páginas de conteúdo organizadas por assunto.
O trabalho do roteirista começa agora
Depois que toda a pesquisa está pronta, começa o verdadeiro trabalho do roteirista.
Seu papel é pegar tudo aquilo que encontrou — livros, vídeos, artigos, pesquisas e até a própria obra que está analisando — e transformar tudo isso em uma linha de raciocínio única.
No meu caso, eu relaciono esses conceitos com o anime. No seu, você pode relacionar com um filme, uma experiência pessoal ou simplesmente desenvolver o assunto de outra maneira.
Originalidade não é inventar tudo do zero
É importante lembrar que você não deve copiar o texto de outras pessoas.
Seu trabalho é compreender as ideias, dar os devidos créditos quando necessário e reescrever tudo com as suas próprias palavras.
Originalidade não significa criar algo do zero. Significa reunir referências diferentes e construir uma linha de raciocínio que seja sua.
Ligue um assunto ao outro
Depois que você desenvolve um tópico, cria um gancho para o próximo.
É assim que o roteiro começa a ganhar fluidez.
Em vez de parecer uma coleção de informações soltas, ele passa a contar uma história em que cada assunto conduz naturalmente ao seguinte.