arpintaria
O que é carpintaria, pessoal?
Carpintaria aqui, agora, eu vou entrar com vocês nas questões mais específicas da escrita. Enfim, vamos aprender a escrever. Já faz umas, sei lá, umas dez aulas que estamos falando de escrita avançada e eu não escrevi muita coisa aqui na frente de vocês. Não dei, tipo, muitos exemplos sobre escrita, não falei sobre verbos, adjetivos, esse tipo de coisa. Só falei tipo: seja você mesmo, não sei o quê, não tenha medo e você está escrevendo para você, e todas as questões mentais.
Agora a gente vai entrar na prática do que reparar na sua escrita, nos seus roteiros, que você pode melhorar.
Verbos
Então, primeiro: verbos.
Verbos são… eu sei, a gente vai do básico. Essa aula aqui eu acho que vai ser uns vinte minutos, compridinha. A gente vai do básico para você entender o que você ainda não entende. Verbos são as palavras que dizem a ação que alguém está fazendo em uma frase.
E por que a maioria das pessoas usa eles errado? Porque elas usam na voz passiva. A gente quer usar os verbos na voz ativa. A maioria das pessoas usa na voz passiva, usa verbos grandes e usa dois, três verbos no lugar de usar um só.
A escrita, quanto mais enxuta, mais precisa e mais ativa, mais forte ela é.
Voz ativa e voz passiva
Vamos dar alguns exemplos do que eu estou tentando falar.
Esses exemplos aqui você já vai entender o que é verbo na voz ativa e verbo na voz passiva. Por exemplo: alimentou é ativo. Uma pessoa foi lá e alimentou alguém. Agora, foi alimentado é passivo.
Quando alguém está lá parado, sem fazer nada, ou fazendo algumas coisas na sua vida e, de repente, ela sofre, ela é vítima do verbo de outra pessoa, ela é vítima da ação de outra pessoa, ela é o objeto do verbo de outra pessoa, ela é atingida pela ação de outra pessoa. Isso é passividade.
Por exemplo: viu versus foi visto. Quando uma pessoa vê alguém, ela está ativamente vendo alguém. Quando uma pessoa está sendo vista, ela é a parte passiva da frase. Entendeu?
Isso aqui é esquisito porque o sujeito, a pessoa da frase, sempre está antes do verbo. E como aqui eu vou colocar, por exemplo, “João foi visto”, é uma frase que diz que João não fez nada. João não fez nada nessa frase. Ele foi vítima de outra coisa.
Isso é voz passiva.
Exemplos com Barou
Agora vamos um pouco para o nosso mundo.
Barou cortou a defesa da França. Isso é ativo. Barou está indo. Barou é um personagem de mangá, para quem não conhece, de um mangá de futebol chamado Blue Lock. É difícil quem está aqui não saber, mas, enfim, eu explico.
Aqui, Barou é o sujeito da frase. Barou é a pessoa que está executando alguma coisa. Por isso, todo o poder da frase está nas mãos de Barou. Essa frase é forte porque ela move a narrativa para frente.
Agora eu vou transformar a defesa da França no sujeito da frase.
A defesa da França foi cortada por Barou. Essa frase é ruim, essa frase é passiva e essa frase é chata. Por quê? Porque o sujeito da frase nem é uma pessoa. A defesa da França pode ser um coletivo de pessoas, mas o sujeito da frase não faz nada ativamente.
Ele está passivo enquanto outra pessoa está fazendo alguma coisa, e essa pessoa não é o sujeito principal da frase. É muito melhor você colocar o sujeito principal da frase como aquele que faz alguma coisa sempre.
Por exemplo: Hugo roubou a bola de Barou é ativo.
Barou teve a bola roubada por Hugo é passivo, ou seja, é ruim.
Use verbos mais fortes
Use sempre verbos que falem por si só e não precisem de mais verbos para funcionar.
O que eu quero dizer? Existem frases em que você tem que colocar dois verbos para funcionar. Você não vai ativamente procurar colocar dois verbos na sua frase, entende? Não é isso que eu estou falando.
Eu estou falando que, de vez em quando, você vai fazer isso. E a reescrita serve para você perceber que você fez e cortar fora.
Vou dar um exemplo do que eu estou falando.
“Colocar em prática” uma ideia que você pode implementar.
Você pode implementar é uma palavra só e um verbo só. É bem melhor do que “colocar em prática”.
“Dar início” versus “começar” ou “iniciar”.
“Levar adiante” versus “prosseguir” ou “continuar”.
Verbos mais fortes
“Passar a entender” versus “compreender”.
“Botar para funcionar” uma empresa ao invés de “tocar” uma empresa.
“Dar uma explicação” ao invés de “explicar”. Entende? Todas essas coisas aqui são fracas porque usam mais palavras do que o necessário para passar exatamente a mesma ideia.
Conte o máximo com o mínimo
Se você reparar nos filmes, cara, eu estava assistindo ao filme GOAT ontem. GOAT é o nome. Aí eu reparei que a maioria dos filmes conta histórias enormes com poucas cenas.
Por exemplo, para contar a infância do personagem, foi tipo uma cena dele com a mãe tirando foto. Ele ganhou um tênis e depois entrou em um estádio de basquete com a mãe dele, que estava realizando o sonho dele de jogar basquete.
Cara, só aquela cena ali já mostrava que aquela era uma mãe bem atenciosa, que apoiava o sonho do filho e tudo mais que a gente precisava saber em menos de dois minutos.
A beleza da mídia está em contar as maiores, as melhores histórias possíveis com o menor tempo necessário do viewer, da pessoa que está lendo ou da pessoa que está assistindo.
Isso é uma coisa que eu venho reparando. A gente consegue contar essas histórias, passar essas mensagens, com menos tempo. E isso é proporcional à qualidade do produto final que você vai entregar para a sua audiência, no caso do seu vídeo.
Advérbios
Advérbios.
Advérbio são características dadas aos verbos. É a palavra que você coloca para dar uma característica a uma ação que você está fazendo.
Por exemplo, você correu. Você vai colocar uma palavra para dar uma característica à sua corrida.
Só que a maioria deles é desnecessária, porque a maioria dos verbos já dá todas as informações que a pessoa que está escutando ou lendo precisa para entender o que você está falando.
E, quando a gente não presta atenção nisso, gera algumas pérolas como essas aqui.
Advérbios desnecessários
“Gritou alto.”
“Correu rápido.”
“Berrou estridentemente.”
“Berrou alto.”
“Apertou firme.”
“Sorriu alegremente.”
“Chorou tristemente.”
“Trabalhou diligentemente.”
“Subiu para cima.”
“Desceu para baixo.”
“Entrou para dentro.”
“Saiu para fora.”
O verbo já comunica a ação
Sabe? Esses advérbios são desnecessários porque eles não têm função.
Se você reparar, “alto” já é algo que está subentendido quando se diz que uma pessoa gritou. Estridência já é algo que está subentendido quando se diz que alguém berrou.
Rapidez é algo que está subentendido quando você diz que alguém correu. Ela não andou.
Se eu quisesse falar que ela andou rapidamente, seria uma coisa. É diferente de correr. Como ela correu, eu usei correr.
Substantivos e adjetivos
A mesma coisa se aplica quando você vai dar características aos substantivos.
Para quem fugiu da aula de português, cara, eu era ruim para caramba em português. Tipo, eu me surpreendo de estar ensinando isso aqui.
Mas, tipo, substantivo é uma palavra que dá nome às coisas.
Por exemplo: microfone é um substantivo, caneca é um substantivo, mouse é um substantivo, caderno é um substantivo, fone, Lucas, fita de nariz, barba, bigode, olho, sobrancelha… tudo isso são substantivos.
Adjetivos
Agora, um adjetivo é uma característica que você dá ao substantivo.
Por exemplo, minha sobrancelha é cortada. Isso é um adjetivo. Sobrancelha cortada.
Só que a maioria dos adjetivos também é dispensável, a menos que você dê uma característica necessária para o substantivo que você está falando.
Por exemplo, céu azul. Todo céu quase é azul. A gente só precisa falar a cor do céu quando ele estiver vermelho.
Luz branca. Quase todas as luzes são brancas. A gente só precisa falar a cor de uma luz quando ela for verde, como a luz que está atrás de mim, ou quando ela for vermelha.
Isso tem nome e se chama epíteto redundante.
Epíteto redundante
É quando um adjetivo não cumpre função nenhuma.
Aqui alguns exemplos.
“Elo de ligação.”
Um elo de uma corrente serve para ligar alguma coisa. Então, cara, não precisa ter “de ligação” aqui. É só falar elo.
“Protagonista principal.”
“Surpresa inesperada.”
Toda surpresa é inesperada. Por isso é uma surpresa. A gente não precisa falar que ela é inesperada.
“Certeza absoluta.”
Toda certeza é absoluta. Porque é certeza, cara. Certeza é certeza. Certeza não é achar. Certeza é absoluto. Então não precisa falar que é absoluta.
“Criação nova.”
Toda coisa que é criada já é nova. Então não precisa falar que você está criando uma coisa nova. Você só está criando uma coisa.
Os adjetivos têm que cumprir uma função que o substantivo não consegue cumprir.
Mais exemplos de epíteto redundante
Aqui tem mais alguns exemplos de epíteto redundante.
Por exemplo: rocha dura, montanha alta, noite escura, limão azedo.
Você só precisa colocar um adjetivo em uma frase quando esse adjetivo diz algo que normalmente não estaria ali, que normalmente uma pessoa não imaginaria quando escuta aquela palavra.
Por exemplo, se um café for azul, você fala que ele é azul. Mas café preto… todo café é preto, entende?
Pequenos qualificativos
Agora, pequenos qualificativos.
O que são pequenos qualificativos? São toda vez que você fala que alguma coisa é um tanto quanto alguma coisa, que é um pouco alguma coisa, é meio que tal coisa, é quase tal coisa, é bastante alguma coisa.
Aqui tem alguns exemplos: um pouco, meio, um tipo de, uma espécie de, um tanto, bastante, muito, demais, quase, em certo sentido.
A maioria dessas palavras é desnecessária.
Corte os qualificativos
Você não fala que estava um pouco confuso.
Quando você está confuso, você está confuso. Não existe grau de confusão. É confuso.
Quando você estava feliz, você não fala que estava um pouco feliz, muito feliz, bastante feliz. Você estava feliz.
Não existe pessoa, por exemplo, meio organizada. Cara, você é meio organizado? Então você não é organizado. Ou você é organizado ou não é organizado.
Autoridade na escrita
O que essas palavras fazem na prática?
Elas tiram a autoridade de quem está falando.
Por quê?
Porque elas passam a ideia de que você não tem certeza do que fala. Cada vez que você usa uma dessas palavras aqui, um bastante, um muito, um mais ou menos tal coisa, você está perdendo um pouco da autoridade de fala e da credibilidade em si.
Você está passando a ideia de que “eu não sei muito do que eu estou falando, então eu acho que é mais ou menos assim”. E ninguém tem tempo para escutar alguém que não sabe do que está falando.
Fale com convicção
A gente é youtuber, a gente não é especialista no que fala, mas a gente pesquisa.
Ou, por exemplo, se você é do nicho de entretenimento, ou está aqui fazendo qualquer outro tipo de vídeo, você está fazendo esse vídeo baseado na sua experiência com alguma mídia, na sua experiência com alguma outra coisa.
Então a sua experiência não foi meio que legal. Ela foi legal.
A sua experiência com o jogo não foi mais ou menos assustadora. Foi assustadora, entende?
Não tire a sua própria autoridade com palavras que são pequenos qualificativos do que você quer dizer.
Só diga o que você quer dizer sem esses qualificativos.
Não seja mais ou menos assertivo.
Seja assertivo.
Alteradores de tom
Agora, uma das partes mais legais de toda a escrita: alteradores de tom.
Eu gosto dessa parte aqui.
O que é um alterador de tom?
Quando você está escrevendo ou falando alguma coisa para alguém, geralmente a sua fala leva em direção a algum objetivo.
Quando esse objetivo muda, quando você vai mudar essa direção para a pessoa conseguir acompanhar o seu raciocínio, você usa um alterador de tom.
A força da palavra “mas”
Por exemplo, sabia que a CCG estava esperando na rota V11?
Eu estou falando sobre uma coisa.
Agora eu vou falar sobre outra coisa, que é o que Kaneki fez.
Então eu uso o alterador de tom mais poderoso que existe, que é a palavra mas.
É uma palavra com três letras, o que deixa ela muito curta.
Ela consegue substituir uma frase inteira de explicação.
O poder de uma palavra
Por exemplo, eu posso colocar um “mas” aqui no lugar disso aqui.
“Apesar do fato desses perigos serem apresentados para ele, ele decidiu ir.”
O “mas” está substituindo uma frase inteira.
Cara, isso aqui é um ganho absurdo.
Só coloca um “mas”. Essa palavra é espetacular, velho.
“Mas ele decidiu ir.”
Mudando completamente a direção
A palavra mas é uma das mais fortes que existe para começar uma frase, começar um texto, porque ela muda totalmente o tom do que você vai falar.
Como, por exemplo, eu posso pegar algum roteiro meu aqui.
Eu sempre uso o roteiro do Destino.
Vou pegar aqui.
Aqui eu estou falando do destino, como o Snuffy fala.
Isso aqui é um alterador de tom.
O “por isso” é um alterador de tom.
Exemplo de “por isso”
“Destino se resume à sua adequação.”
“Desde o momento do nascimento, cada ser humano tem características e talentos únicos.”
“Essas coisas determinam suas habilidades básicas.”
“Por isso, cada um tem um modo adequado de viver segundo suas habilidades e talentos.”
Esse “por isso” substitui a necessidade de repetir tudo que acabou de ser explicado.
Se não colocasse o “por isso”, eu teria que explicar novamente todo o raciocínio anterior.
Em vez disso, basta escrever: “Por isso, tentar almejar qualquer coisa fora de si é um caminho para o sofrimento.”
Alterando o rumo do texto
Agora eu vou completamente contra o que eu estava falando aqui e, por isso, eu coloco a palavra porém.
“Porém, a filosofia do destino de Snuffy não é 100% determinística.”
Aqui eu estou falando tudo o que a filosofia do destino defende. Daí eu vou alterar o tom. Eu vou alterar o rumo que eu estou tomando com o texto.
Eu falo: “Porém, a filosofia do destino não é 100% determinística.” A partir daí, eu posso encontrar alguns exemplos que mostram isso.
Um novo argumento
O Isagi não aceita o que o Snuffy fala e diz que sabe que suas habilidades são melhores para o meio-campo, mas sofre com isso.
Mesmo assim, ele vai reescrever seu destino com seu ego, com sua vontade.
Mas, quando outra jogada não dá certo, o Snuffy fala que os elementos que decidem uma partida são outros.
Daí eu vou explicar quais são esses elementos que decidem a partida.
Outro exemplo de mudança de tom
Aqui é um exemplo perfeito. O último parágrafo do roteiro do Snuffy.
“Olhando para a ciência, essa atração natural, inescapável, no caso do Bukowski, não pode ser muito explicada.”
Eu tenho aqui um raciocínio completo. Uma informação completa nessa frase.
Agora eu vou alterar completamente o tom.
Quebrando a expectativa
“Mas, segundo Angela Duckworth, os modelos de garra…”
Daí a pesquisa científica dela diz que essas pessoas fazem o que fazem porque, de alguma forma, se interessaram por isso.
Esse amor incondicional pelo trabalho surgiu, no começo, como um pequeno interesse.
Mas a ciência só vai até aí.
Olha a força dessa frase.
A força do contraste
Eu estou fazendo uma explicação inteira aqui, de umas vinte palavras mais ou menos.
Daí, com apenas algumas palavras, eu quebro totalmente a expectativa.
“Mas a ciência só vai até aí.”
“Mas” é uma afirmação muito forte.
Daí eu vou explicar o que desperta o interesse dessas pessoas.
O limite da ciência
Ela só diz: “Experimente muitas coisas até que algo lhe pareça interessante.”
E o que nos parece interessante está 100% fora do nosso controle.
Quase como destino.
Como Bukowski disse: quando tudo dá certo, não é porque você escolheu a escrita. É porque a escrita escolheu você.
Para que servem os alteradores de tom
Os alteradores de tom servem para alertar o leitor ou o viewer sobre a mudança de direção em relação à frase anterior.
Aqui alguns dos mais utilizados:
Mas, no entanto, todavia, porém, contudo, apesar disso, em vez disso, desse jeito, por isso.
Enquanto isso, agora, mais tarde e hoje têm mais relação com o tempo verbal em que os fatos estão acontecendo.
Alteradores de tempo
Eles não servem para mudar a direção do raciocínio.
Eles servem para mudar a localização temporal em que os fatos narrados estão acontecendo.
Por exemplo: eu estou explicando que o Snuffy estava levando a bola para a defesa do Japão.
“Enquanto isso”, o Rin estava realizando sua cópia.
Enquanto isso quer dizer que uma coisa acontece ao mesmo tempo que outra.
Clareza para o leitor
Isso aqui vocês já entendem.
É só para jogar um pouco mais de clareza nas ferramentas que vocês já têm e já sabem usar.
Só que, muitas vezes, vocês ainda não sabem o poder que elas exercem.
Como eu falei agora, “hoje”, “mais tarde” e “enquanto isso” servem para manter o viewer ou o leitor no enquadramento temporal correto.
Exageros
Isso aqui é quando a gente tenta inflar alguma coisa para parecer mais legal, mais bonita ou mais divertida do que ela realmente é.
A regra aqui é só uma:
Não invente coisas.
Não exagere.
A verdade já basta
Não existe nada mais interessante do que a verdade.
Só isso é o necessário.
Você não precisa falar, por exemplo, que parecia que tinha uma caixa de abelhas dentro da sua cabeça.
Não parecia. Era uma dor de cabeça normal.
Só fala que você estava com dor de cabeça.
Não enfeite a realidade
Quando você entra numa sala bagunçada, você fala que parece que passou um furacão ali dentro. Tudo bem, você pode falar isso normalmente.
Mas, se você for escrever, se for falar num vídeo, não parece um furacão.
Só está bagunçado.
Vai ser mais legal você falar que estava bagunçado.
Credibilidade
Esses exageros também diminuem a credibilidade do que você fala ao longo do tempo.
Eles diminuem a crença que o viewer tem em você e dão sono.
Porque, quando parece que você precisa enfeitar alguma coisa para ela ser interessante, o viewer naturalmente percebe que a natureza do material que você reuniu não é interessante.
E, por isso, ele pode clicar fora.
Como resolver um problema de escrita
Como resolver fácil um problema de escrita?
Muitas vezes, durante a escrita do seu roteiro, você vai ter escrito alguma coisa que achou até legal, só que não vai conseguir encaixar aquilo no texto.
Aquilo vai ficar ali como uma peça solta. Você tenta colocar no começo, tenta colocar no final e pensa: “Cara, ficou tão massa isso aqui, só que não está encaixando.”
E você perde horas e horas tentando encaixar aquilo no seu texto.
A pergunta mais importante
A forma mais rápida de resolver qualquer problema na escrita é se perguntar:
“Eu realmente preciso disso?”
Para passar a mensagem, isso aqui que eu escrevi é essencial?
Na maioria das vezes, a resposta vai ser não.
Corte sem medo
Você vai ver que, quando cortar essa coisa, o seu roteiro vai ganhar muito mais vida.
A diferença crucial entre um roteiro meu na primeira versão é que, quando eu faço os roteiros, eu vou quebrando a cabeça para encaixar algumas coisas.
Vou colocando informação, colocando mais informação, colocando mais informação.
Quando eu termino de fazer a BIG, depois de pesquisar cada tópico, eu jogo todas as informações que achei legais.
A primeira versão nunca é a final
Depois eu passo escrevendo tudo de uma forma que faça mais ou menos sentido.
No final, eu tenho um roteiro versão um.
A diferença entre a versão um e a versão final, que vai para o vídeo, é um monte de coisa que eu tirei.
Geralmente, dificilmente eu escrevo mais na segunda, terceira ou quarta versão.
O verdadeiro trabalho da reescrita
Na maioria das vezes, eu estou relendo e reorganizando algumas coisas para fazerem mais sentido.
Também reorganizo para que as frases mais fortes fiquem no final dos parágrafos.
Como a gente realmente faz uma pausa entre um parágrafo e outro, essa frase tem um pouco mais de tempo para ficar na cabeça do leitor.
Principalmente no final do roteiro, eu coloco as frases fortes nos finais dos parágrafos.
Enxugue o roteiro
E, na maioria das vezes, eu corto muita coisa.
É isso.
O trabalho de reescrita, normalmente, é esse.
Você vai ver um avanço enorme de qualidade de um roteiro para o outro, se simplesmente tentar cortar ele pela metade sem perder informação.
Menos é mais
Você vai perceber que muita coisa que estava ali não precisava estar ali.
Vai tirar aquilo e terminar com um roteiro muito melhor.
Então é assim que você resolve facilmente um problema de escrita.
Se alguma coisa não está se encaixando, você corta.
Reescrever é escrever
Reescrever é a essência da boa escrita.
No livro que me ensinou algumas das coisas que eu sei sobre escrita, o autor fala que ele não gosta de escrever.
Ele gosta de ter escrito.
Porque a maior parte do trabalho dele é reescrita.
O papel da reescrita
E reescrever é bom porque a maioria das pessoas não diz logo de cara o que queria dizer.
Ou não diz tão bem quanto poderia ter dito.
Quando você pensa no trabalho de um comunicador, que é o que somos, o nosso trabalho é comunicar.
E comunicar vem de tornar comum, tornar entendível para alguém alguma coisa.
Refinando a mensagem
É tornar aquela informação tão familiar como se fosse parte do cotidiano da pessoa.
E a sua frase, o seu texto, muitas vezes pode ter alguns erros.
Quando você relê, principalmente em voz alta, pode perceber que ela não é clara.
Pode perceber que ela tem adjetivos demais, que ela tem verbos na voz passiva e todos os erros que eu falei aqui acima e nas outras aulas.
A maior parte da escrita
Por isso que a reescrita é a parte essencial da escrita.
A maior parte da reescrita consiste em remodelar, enxugar e refinar o material bruto do primeiro manuscrito.
Isso aqui é uma frase diretamente do livro.
E ela resume muito bem o que é reescrever.
Credibilidade
Não infle as coisas para se tornarem mais extraordinárias do que são.
A credibilidade é frágil.
Quando você a quebra, tudo o que você fala depois passa a ser suspeito.
Não minta.
Não existe nada melhor que a verdade
Não há nada mais interessante do que a verdade.
Não tente fazer uma coisa que não é verdade passar por verdade.
Não tente distorcer alguma coisa.
Não tente enfeitar alguma coisa, como eu falei ali em cima nos exageros.
Sua reputação é seu patrimônio
A gente trabalha com internet.
A maioria das pessoas que está aqui ainda é pequena. Eu, inclusive, sou pequeno ainda.
Eu acredito que sou pequeno na internet. Pequeno para caramba, na verdade. Quase inexistente.
Assim que eu ficar um pouco maior, a credibilidade é o que vai me manter capaz de passar uma mensagem para a audiência e ela acreditar em mim.
Escreva sobre o que lhe interessa
Credibilidade é muito frágil.
Uma vez que você quebra ela, dificilmente vai ter volta.
E, por último, escreva sobre o que lhe interessa.
Deve ser a décima quarta vez que eu falei isso aqui, mas é a regra principal.
A regra principal
Você tem que ter interesse pelo que faz.
Meio que vocês já gabaritaram essa parte aqui porque vocês são youtubers.
Você que está aqui me assistindo é um youtuber. Você fala sobre o que se interessa.
Então está tudo certo, porque, como disse William Zinsser, nenhum assunto é específico ou peculiar demais, se na hora de escrever você estabelecer uma conexão honesta.