Escreva para você mesmo
Uma dúvida muito comum entre quem está começando no YouTube é tentar descobrir para quem está produzindo.
“Qual é o meu público-alvo?” “Quem vai assistir esse vídeo?” “Para quem eu devo escrever?”
A minha resposta é simples: público-alvo é, em grande parte, uma ilusão. Você escreve, antes de tudo, para você mesmo.
As pessoas não sabem o que querem
Quando você tenta imaginar exatamente quem vai assistir ao vídeo, acaba limitando a própria criatividade.
As pessoas não sabem o que querem consumir até que aquilo apareça na frente delas. Quantas vezes você descobriu um canal, uma música ou um assunto que nunca imaginou gostar simplesmente porque resolveu clicar?
Eu mesmo descobri músicas novas do Linkin Park dessa forma. Eu nem sabia que iria gostar, até ouvir pela primeira vez.
Faça o vídeo que você gostaria de assistir
Por isso, não faça vídeos pensando em um público específico.
Não pense: “Esse vídeo é para médicos”, “Esse é para empreendedores” ou “Esse é para quem acabou de sair da casa dos pais”.
Faça o vídeo que você gostaria de assistir.
Essa é uma frase repetida por vários criadores de conteúdo, mas existe um motivo para ela ser tão importante.
Seja o seu maior fã
Você precisa gostar dos próprios vídeos.
Quando você ama aquilo que está produzindo, trabalha com entusiasmo. Esse entusiasmo aparece durante a escrita, na gravação e na edição.
E o entusiasmo é contagiante.
É como se você segurasse o viewer pela mão e dissesse: “Vem comigo. Olha que incrível isso aqui. Quero te mostrar por que esse assunto mudou a minha vida.”
Quem assiste sente essa energia.
Não tenha medo de desagradar
Talvez você pense:
“E se o viewer não entender?”
“E se ele abandonar o vídeo?”
“E se eu desagradar meus inscritos?”
Esses medos fazem você deixar de fazer o vídeo que realmente gostaria de criar.
Se você quiser contar uma história pessoal no meio do vídeo, conte. Se aquela história faz sentido para a mensagem, coloque ela ali. Não escreva tentando agradar todo mundo o tempo inteiro.
Um coração preocupado não cria bem
Existe uma frase de Vagabond que resume muito bem essa ideia:
“Uma vez que seu coração esteja preocupado, sua espada não será verdadeira.”
O mesmo vale para a criação de conteúdo.
Quando você escreve preocupado em não errar, em não perder inscritos ou em agradar todo mundo, deixa de estar verdadeiramente presente durante o processo criativo.
Os medos se tornam barreiras entre você e o seu melhor trabalho.
Poste e siga em frente
Depois que terminar um vídeo, publique.
Não fique atualizando as visualizações o dia inteiro esperando ele crescer.
Postou? Vá fazer o próximo.
É a consistência que leva você para o próximo nível, não a ansiedade em acompanhar o desempenho do vídeo anterior.
Quando você fala a verdade
Quando você perde o medo de desagradar, consegue falar aquilo em que realmente acredita.
E é justamente nesse momento que alguém pode se identificar profundamente com você.
A internet coloca o seu conteúdo diante de milhares ou até milhões de pessoas. Quanto mais verdadeiro você for, maiores as chances de criar conexões reais e até oportunidades que vão muito além do YouTube.
Escrever bem e ser você mesmo não são opostos
Talvez isso pareça contraditório.
Até agora eu disse que você deve dominar a escrita para não perder o viewer. Agora estou dizendo para não se preocupar em perder pessoas.
Na verdade, são duas coisas diferentes.
Uma coisa é aprender as técnicas da escrita: simplificar frases, escolher palavras melhores, criar ganchos e manter a atenção.
Outra coisa completamente diferente é decidir o que você vai dizer e como vai expressar as suas ideias.
As ferramentas servem para transmitir sua mensagem com clareza. A mensagem continua sendo sua.
Domine as ferramentas da escrita
Aprender a escrever melhor é como aprender a usar uma ferramenta.
Você aprende a simplificar frases, escolher verbos melhores, criar unidade entre as ideias, melhorar a sonoridade e manter o viewer preso ao roteiro. Essas são habilidades técnicas que qualquer pessoa pode desenvolver com estudo e prática.
Mas a ferramenta, por si só, não cria um bom vídeo.
O ofício e a atitude
Existe uma combinação que faz um roteiro funcionar.
O ofício é dominar as ferramentas da escrita. A atitude é decidir o que fazer com elas.
Você usa a técnica para comunicar suas ideias da forma mais clara possível, mas o conteúdo continua vindo de você. A escrita não serve para esconder sua personalidade. Ela serve para transmiti-la com mais força.
Leia como se estivesse conversando
Depois de terminar o roteiro, faça um teste simples.
Imagine que seu melhor amigo está sentado na sua frente. Leia o texto em voz alta e pergunte a si mesmo: “Eu realmente falaria isso para ele?”
Se alguma palavra soar estranha ou formal demais, retire.
Se você não falaria daquele jeito em uma conversa, provavelmente também não deveria escrever daquela forma.
Não invente uma persona
Quando você força um jeito de falar que não é o seu, acaba criando uma personagem.
É uma versão idealizada de você mesmo: alguém mais inteligente, mais culto ou mais eloquente do que realmente é.
O problema é que essa pessoa não existe.
As palavras que mais conectam são justamente aquelas que pertencem ao seu jeito natural de falar.
Use as suas próprias palavras
No meu primeiro vídeo, por exemplo, usei uma palavra que provavelmente nem existe: “pulandinho”.
Eu queria descrever um gato vindo em direção a uma personagem e aquela foi a palavra que apareceu naturalmente na minha cabeça.
Não parei para pensar se estava no dicionário. Escrevi porque era exatamente assim que eu falaria.
São essas pequenas escolhas que fazem um texto parecer vivo.
No começo, ninguém conhece você
Imagine que você queira criar um canal de musculação.
Existem centenas de vídeos ensinando como treinar costas, usar determinados exercícios ou montar uma rotina de treino. Por que alguém assistiria justamente ao seu?
Se você tentar competir apenas pelo conteúdo técnico, estará disputando espaço com criadores enormes que já fazem isso há anos.
O que torna você diferente
Agora imagine outro tipo de vídeo.
Em vez de apenas ensinar a treinar, você mostra como concilia musculação com faculdade, trabalho em horário comercial e a rotina de alguém que ainda está construindo a própria vida.
De repente, pessoas que vivem exatamente essa realidade começam a se identificar com você.
Elas não acompanham apenas um canal de musculação.
Elas acompanham a sua jornada.
O nicho de quem é fã de você
No nicho da musculação existe uma concorrência gigantesca.
Mas no nicho das pessoas que gostam especificamente de você, praticamente não existe concorrência.
Quem acompanha sua personalidade não está ali apenas pelo assunto. Está ali porque gosta da forma como você pensa, das histórias que conta e do jeito como enxerga o mundo.
Esse é um espaço que ninguém consegue copiar.
A identificação acontece naturalmente
Quanto mais você mostra quem realmente é, maior a chance de atrair pessoas parecidas com você.
Elas costumam viver fases semelhantes da vida, enfrentar problemas parecidos e buscar soluções semelhantes.
É justamente essa identificação que transforma espectadores ocasionais em pessoas que acompanham todos os seus vídeos.
Dê conselhos para você mesmo
Existe uma técnica que quase ninguém ensina.
Quando estiver escrevendo um vídeo sobre algum problema, pense no conselho que você mesmo precisava ouvir.
Em muitos casos, a melhor mensagem que você pode transmitir é justamente aquela que gostaria de receber.
Como você também é uma pessoa comum, existe uma boa chance de milhares de outras pessoas precisarem exatamente desse mesmo conselho.
As pessoas precisam ouvir isso também
No vídeo sobre Blue Lock, por exemplo, eu falei sobre o perigo de se comparar com pessoas da internet.
Naquele momento, eu estava falando comigo mesmo. Era um conselho que eu precisava ouvir.
Depois que o vídeo foi publicado, vários comentários diziam exatamente a mesma coisa: que aquelas palavras tinham chegado na hora certa.
Isso acontece porque problemas humanos costumam ser compartilhados. Quando você resolve um problema dentro de si, muitas vezes acaba ajudando outras pessoas que estão vivendo algo parecido.
Acima de tudo, agrade você
No fim das contas, existe uma regra que resume toda esta aula.
O vídeo precisa agradar você primeiro.
Quando você é o seu maior fã, escreve com entusiasmo, grava com autenticidade e cria um conteúdo que só poderia existir porque foi feito por você.