O melhor jeito de iniciar um vídeo
A próxima peça agora é o melhor jeito de iniciar um vídeo. Mais ou menos um ano atrás eu estava sentado na frente do meu computador pesquisando jeitos de começar vídeos. Eu queria fazer um vídeo de um jeito diferente, não sabia o que fazer e acabei encontrando um vídeo no YouTube.
O nome do vídeo era “O melhor jeito de iniciar uma fala”. Eu assisti aquele vídeo e ele explicou os três melhores jeitos de iniciar uma fala. Aí eu percebi que eu já tinha usado alguns desses jeitos, mas o melhor deles eu comecei a usar depois daquele vídeo.
Um padrão que os grandes autores usam
Eu usei uma ou duas vezes intuitivamente, mas comecei a usar com mais frequência depois daquela vez. E eu reparei que um autor que eu acompanho, um youtuber de 3 milhões de inscritos, também faz isso toda vez. Ele não só faz isso, como faz quase só isso para começar todos os textos dele e praticamente todos os capítulos do livro dele.
O autor é o Mark Manson. Todo começo de texto ele começa do mesmo jeito. Foi aí que eu percebi que aquilo provavelmente não era coincidência, e sim um padrão que pessoas muito boas em comunicação utilizam.
O terceiro melhor jeito
O cara do vídeo que eu assisti falou que o terceiro melhor jeito de começar uma fala, uma apresentação, era fazendo uma pergunta que se conectava com a audiência. Por exemplo, no meu vídeo sobre morte, “Quando um mangá sobre morte te ensina a viver”, a primeira frase é uma pergunta.
A pergunta é: “Se você fosse morrer amanhã, do que se arrependeria?” Ou então você começa com algo como: “O que significa ser egoísta e por que isso parece importar tanto assim?” Essa pergunta já se relaciona completamente com o tema do vídeo.
Abrindo um loop de curiosidade
A pergunta serve para abrir um loop de curiosidade na cabeça do viewer, de quem está escutando você. A partir daí a pessoa presta atenção porque quer responder aquilo. Ela quer encontrar uma resposta para a pergunta que acabou de surgir na cabeça dela.
Agora eu vou dar um exemplo de um vídeo em que a introdução não é minha. O crédito dessa introdução não é meu. Hoje eu percebo o quanto ela foi genial e o quanto ela funcionou bem.
O erro que quase me fez perder o canal
Eu me inspirei naquela introdução para fazer um vídeo meu. Eram vídeos diferentes, mas sobre o mesmo tema. Na prática eu dei um Ctrl+C e Ctrl+V na introdução. E não façam isso. Eu quase perdi o canal por causa disso.
Só deixei o vídeo no ar porque ele já tinha alcançado as visualizações que ia alcançar e não estava mais crescendo. Além disso, eu acredito que era um conteúdo que melhorava a vida das pessoas. Mesmo assim, quase perdi o canal por copiar a thumbnail e a introdução daquele outro vídeo. Então, não façam isso.
Um exemplo prático
O vídeo, a capa e o título eram: “Você não quer isso. Você não quer ser como o Toji.” Daí, no vídeo O vilão que infelizmente nos inspirou, eu trago justamente esse sentimento de que o Toji inspira muita gente. Quase todo canal dark de fitness coloca o Toji em alguma thumbnail uma hora ou outra.
Você provavelmente já viu ele em alguma thumbnail de canal de treino ou musculação. Os caras gostam muito do físico do Toji por causa da Restrição Celestial. E o Toji realmente inspirava bastante gente por causa da história dele e de tudo o que ela representa.
Uma pergunta para a pessoa certa
A primeira frase do vídeo é: “Você já se viu atraído por um personagem, mas não soube explicar o porquê?” Essa pergunta abre um loop na cabeça da pessoa. Como o vídeo é sobre o Toji, quem clicou provavelmente também já se inspirou nele em algum momento.
Ou seja, é uma pergunta que fala diretamente com quem clicou no vídeo. Esse é o objetivo de começar um vídeo com uma pergunta: abrir um loop de curiosidade na cabeça da audiência certa, e não de qualquer pessoa.
A pergunta precisa conversar com o tema
Por exemplo, a pessoa que clicou naquele vídeo quer saber sobre o Toji, então eu faço uma pergunta relacionada ao Toji. A pessoa que clicou em um vídeo sobre morte quer saber sobre morte, então eu começo com uma pergunta relacionada a esse tema.
É muito óbvio quando você olha depois, mas ao mesmo tempo é genial, porque muita gente não faz isso ou não faz do jeito certo. Eu mesmo não sabia fazer isso até analisar bastante como esses vídeos eram construídos.
O segundo melhor jeito
O segundo melhor jeito é começar com uma afirmação chocante, ou uma afirmação contraintuitiva. Hoje em dia, muitas das afirmações contraintuitivas que viram vídeos grandes no YouTube acabam se tornando o próprio tema principal do vídeo.
Na época em que eu fiz aquele vídeo de Vinland Saga, eu não fazia a menor ideia do que era um bom tema. Eu simplesmente me inspirei em um vídeo gringo que tinha dado muito certo. A capa dizia “Você não tinha inimigos” e eu fiz praticamente a mesma ideia.
Você não tem inimigos
A introdução desse vídeo é a frase do pai do Thorfinn: “Escute com atenção, Thorfinn. Você não tem inimigos. Ninguém tem nenhum inimigo.” Por que isso chama atenção? Porque é um guerreiro dizendo que as pessoas não têm inimigos.
Depois dessa frase eu vou explicando toda a filosofia por trás disso. Na época eu nem sabia por que aquilo tinha funcionado tão bem, mas hoje eu entendo que uma afirmação contraintuitiva chama atenção justamente porque desafia aquilo que a pessoa acredita ser verdade.
Outro exemplo de afirmação chocante
Outro exemplo de afirmação chocante é esse aqui. Na verdade, ele é uma mistura de afirmação com o próximo tópico, que é o melhor jeito de começar. Por exemplo: “Um homem te pergunta qual é o seu tipo de mulher.” Essa introdução mistura pergunta, afirmação e história ao mesmo tempo.
Esse foi um vídeo que viralizou muito lá fora. Então é possível que dê bastante visualização no meu canal também. Eu ainda não sei porque faz só dois dias que eu postei. Eu fiz bem rápido e publiquei, justamente porque era um tema que tinha explodido lá fora em um canal pequeno.
A curiosidade vem da contradição
A introdução é a seguinte: “Um homem te pergunta qual é o seu tipo de mulher. E, de acordo com a sua resposta, ele decide se você é confiável ou não.” Isso aqui é meu. Lá fora, o cara dizia que conseguia prever se você hesitaria ou não em uma batalha de vida ou morte.
Como eu não queria falar daquele assunto, eu só peguei o tema da pergunta sobre o tipo de mulher. Depois levei o vídeo para outra direção, falando de Sócrates, budismo e, principalmente, dos russos, porque eu tinha estudado bastante sobre eles e queria compartilhar aquilo.
O tema continua sendo outro
O meu tema principal era falar dos russos. A introdução só servia como uma ponte. Então eu começo dizendo: “Um homem te pergunta qual é o seu tipo de mulher. De acordo com a sua resposta, ele decide se você é confiável ou não. E adivinha? Ele acerta toda vez.”
Isso é uma afirmação chocante. Como assim alguém consegue descobrir se você é confiável por causa de uma pergunta tão boba? A pessoa que escuta isso inevitavelmente pensa: “Como assim?” E justamente por desacreditar do que eu falei, ela continua assistindo para descobrir a resposta.
O melhor jeito de começar
E daí a gente chega ao primeiro e melhor jeito de começar. Não só de começar um vídeo, mas de começar uma apresentação, uma palestra, um discurso, um livro ou qualquer tipo de história.
Por que esse é o melhor jeito? Porque é assim que os seres humanos aprenderam durante toda a evolução. O nosso cérebro aprendeu que, quando escuta esse tipo de começo, precisa prestar atenção, porque vem uma lição importante logo em seguida.
Era uma vez…
E que tipo de frase é essa? A frase “Era uma vez…”. Agora eu posso até mudar o título da aula para o verdadeiro título, que eu espero que você tenha esquecido desde que entrou no vídeo: “Conte uma história.”
No vídeo que eu assisti, o autor explica uma coisa que eu ainda não faço muito, que é contar histórias pessoais. Eu ainda quero testar isso em algum vídeo, começando a introdução com uma história minha, alguma coisa que realmente aconteceu comigo e que tenha me marcado.
Histórias pessoais
Agora que eu estou mais focado em quantidade de vídeos e menos em perfeccionismo, acredito que vou ter mais oportunidades para testar esse tipo de abertura. Quero experimentar começar vídeos contando histórias pessoais para ver como isso funciona na prática.
O argumento do autor é que o melhor jeito de começar uma aula, uma palestra ou um vídeo é contando uma história. Não precisa necessariamente começar com as palavras “Era uma vez”, mas a estrutura é exatamente essa: colocar a pessoa dentro de uma narrativa desde a primeira frase.
Histórias funcionam porque prendem
Começar com “Era uma vez” não significa literalmente usar essas palavras. Por exemplo, no vídeo do Yukimiya eu começo dizendo: “Quando o garoto que queria ser jogador de futebol foi diagnosticado com um problema na visão…” E daí eu continuo a história.
Quando eu apliquei esse formato pela primeira vez, deu muito certo. Foi justamente no vídeo do Yukimiya. Foi também quando eu estava vendendo o meu livro e, só de venda de livro, aquele vídeo gerou cerca de quatrocentos reais. Só aquele vídeo, sabe? Hoje eu já não vendo mais o livro.
Outros vídeos que seguem a mesma estrutura
Outro exemplo é o vídeo Como um verdadeiro pedido de desculpas se parece, que começa com a história da menina que perdeu os pais e encontrou o assassino deles. Também tem o vídeo do Hugo e do Charles Bukowski, que foi um dos últimos vídeos que deram muito certo no canal.
Nesse vídeo eu misturo uma afirmação contraintuitiva com uma história. A primeira frase é simplesmente: “Não tente.” Só essa frase já entra em conflito com a thumbnail e com o título do vídeo, que dizem justamente o contrário.
História mais afirmação
A thumbnail diz algo como: “Antes de desistir do seu propósito, assista a este vídeo.” E, ao mesmo tempo, a primeira frase é “Não tente.” A pessoa imediatamente pensa: “Como assim, não tente?”
Depois dessa frase eu começo a contar a história do Charles Bukowski. Explico quem ele era, por que aquela frase ficou famosa e desenvolvo o restante do vídeo a partir dessa narrativa.
O importante é chegar ao ponto
Também comecei com uma história no meu penúltimo vídeo, o vídeo de Jigokuraku. Eu começo dizendo: “Quatrocentos anos antes de Cristo, um velho chinês chegou em tal lugar e fez tal coisa.” Outro exemplo é o vídeo sobre Michael Phelps.
Nele eu começo dizendo que, em 2004, Michael Phelps se tornou o maior nadador da história. Mas também foi o ano em que ele perdeu a vontade de viver, porque já não tinha mais um objetivo. É uma mistura de história com afirmação contraintuitiva.
Toda história precisa de um porquê
O ponto é que histórias prendem, mas elas precisam ter um porquê. Em algum momento você precisa chegar ao ponto principal da história. No caso do vídeo do Michael Phelps, o gancho principal não é que ele virou o maior nadador da história.
O gancho principal é que, depois de chegar ao topo, ele entrou em depressão, perdeu o sentido da vida e quis desistir de viver. É por isso que eu conto a história até chegar nesse momento. A partir daí eu desenvolvo toda a narrativa do roteiro e faço a conexão com Blue Lock.
Histórias reais funcionam muito bem
Histórias reais funcionam muito bem. A história do Charles Bukowski é real. A história do Michael Phelps também é real. No vídeo de Megalobox eu começo contando a história do Beija-flor Ben, que é uma história do anime.
Já no vídeo do Hiragi, mesmo sendo um personagem pouco conhecido, eu começo contando a história de uma pessoa real que exemplifica perfeitamente o tema principal do vídeo. Era alguém que confiava demais nos próprios dados, e a realidade mostrou que eles estavam errados.
Exemplos dos TED Talks
Alguns exemplos disso são os TED Talks mais vistos. Os dois TED Talks com mais visualizações do canal do TED seguem exatamente esse padrão. O TED é um canal em que especialistas de diversas áreas fazem palestras sobre os mais variados assuntos.
Vamos olhar os vídeos em alta. Esses dois aqui começam com uma história. Esse aqui, se eu não me engano, começa com uma afirmação contraintuitiva. Mas repare que, entre os quatro vídeos mais vistos do canal, três deles começam contando uma história.
O vídeo sobre procrastinação
O primeiro começa contando uma história da época do colegial, quando o palestrante precisava entregar a tese do TCC e era procrastinador. Ou seja, antes de ensinar qualquer coisa sobre procrastinação, ele primeiro faz você entrar na história dele.
Você acompanha aquela situação, se identifica com ela e só depois ele começa a explicar os conceitos. A história funciona como uma porta de entrada para o conteúdo que vem em seguida.
A história do e-mail de golpe
O segundo TED Talk mais assistido também começa com uma história. Ele fala: “Três anos atrás eu recebi um daqueles e-mails de spam, daqueles golpes.” Depois ele diz que aquele e-mail passou pelos filtros de spam e completa: “Não me pergunte como.”
A partir daí ele conta toda a conversa que teve com aquele golpista. Antes mesmo de chegar ao tema principal da palestra, você já está curioso para saber onde aquela história vai terminar.
Bill Gates faz a mesma coisa
O Bill Gates também começa com uma história. Ele diz que, quando era criança, o maior medo das pessoas era uma guerra nuclear. Por isso existia um barril cheio de água e comida no acampamento, preparado para uma emergência.
Depois ele faz a transição dizendo que, hoje, o maior risco já não é mais esse, mas sim um vírus capaz de matar milhões de pessoas. Esse vídeo é de uns dez anos atrás, então o tema específico não é tão atual, mas a estrutura continua funcionando exatamente do mesmo jeito.
O autor que me fez assistir 26 minutos
O autor que eu falei que usa isso o tempo todo fez exatamente isso enquanto eu pesquisava esta aula. Eu entrei em um vídeo dele só para pegar um exemplo de abertura com história. Só que a história era tão boa que eu acabei assistindo aos 26 minutos do vídeo inteiro.
Ele começa contando que Napoleon Hill se sentou à mesa de Andrew Carnegie. Para quem não conhece, Carnegie foi um dos homens mais ricos que já existiram. Segundo a história, ele pediu que Napoleon Hill entrevistasse as quinhentas pessoas mais bem-sucedidas do mundo, com a condição de publicar toda a pesquisa depois.
O poder da revelação
Depois ele conta outra história, também de 1908, sobre um homem que fugiu da própria família, mudou de nome, foi para outro país e passou a viver aplicando golpes. Então ele faz a pergunta: “O que essas duas histórias tinham em comum?”
A resposta é que as duas eram sobre a mesma pessoa. Napoleon Hill, na verdade, era um golpista. Esse é o grande ponto da história. Ela vai prendendo você até chegar nessa revelação. Depois que você chega nesse momento, é muito difícil abandonar o vídeo antes do final.
Conte uma história
Se possível, conte uma história. Assim como eu fiz no começo desta aula, eu comecei contando a história de como descobri qual era o melhor jeito de começar um vídeo.
Você sempre vai se sair um pouquinho melhor se conseguir começar o seu vídeo contando uma história.