Quem é você para falar disso?
Aquela velha pergunta que assombra muitos de nós, que trabalhamos com nichos de educação ou qualquer outra coisa.
Quem somos nós para falar disso? Quem é você para falar disso? Quem é o Lucas para falar disso? Quem é o Grity para falar disso?
Muitas vezes, quando a gente vai escrever, a gente tem medo. Medo de ser julgado, medo de não dar conta da tarefa, medo de não ficar bom. Medo. E todo tipo de medo trava a escrita, deixa você empacado e não tem muita utilidade para você durante a escrita.
Meu exemplo com Charles Bukowski
Um exemplo meu que eu posso dar é recentemente, quando eu fiz um vídeo sobre o Hugo e sobre o Charles Bukowski.
Eu nunca tinha lido um livro de Charles Bukowski. Antes de fazer o vídeo eu não era fã do Charles Bukowski, que eu virei um pouco depois que gravei o vídeo.
E eu pensava: “Cara, quem que eu sou para falar de Charles Bukowski? Quem sou eu para falar de Charles Bukowski?”
Só durante o meu processo de ideias me veio a ideia de falar dele junto com o Hugo, porque eu sabia alguma coisa.
Mas, tipo, quem sou eu? Eu não sou especialista, não sou nada.
Você não precisa ser especialista
E daí, através da filosofia do Charles Bukowski mesmo, eu percebi que eu não preciso ser especialista nele para falar dele.
Porque eu não sou um especialista em Charles Bukowski. Eu sou um especialista… especialista eu tento ser, né, em fazer vídeos.
Meu trabalho é empacotar um conteúdo e entregar.
Não é ser um especialista no que eu estou falando.
Se eu entregar um bom conteúdo que entretém, que ensina alguma coisa, ou se eu falar de alguma coisa que eu vivi, que eu passei, que eu tenho autoridade, está tudo certo.
Eu não preciso ser o maior especialista naquilo.
Só preciso fazer o vídeo. Meu trabalho é fazer vídeo, só isso.
Você é um generalista
Geralmente, quando você estuda um tema, você se depara com os especialistas. Você chega nos especialistas do tema e pensa: “Eu não vou dar conta. Quem sou eu para escrever sobre isso?” Sabe? Mas esse é exatamente o ponto.
Você não é um especialista. As pessoas que você vai estudar enquanto faz o vídeo são os especialistas. E elas são especialistas, mano, porque o trabalho delas gira em torno daquilo, a vida delas gira em torno daquilo. Por isso que elas são especialistas.
Você é um generalista e o seu trabalho é tornar o conteúdo desses especialistas acessível para um público amplo, acessível para as massas. É isso que a gente é. A gente é comunicador de massa e, acima de tudo, mano, você é uma pessoa interessada e preocupada com o assunto.
Isso é motivo suficiente para você não se preocupar com quem é você para gravar sobre aquilo.
O medo dá lugar à empolgação
E, uma vez que nos livramos do medo, a gente consegue acessar um outro nível da parada, que é a empolgação. Quando você se empolga aprendendo ou escrevendo sobre algo, essa empolgação transparece na escrita e na fala do vídeo.
Quando você sente que algo que você está aprendendo, fazendo ou escreveu é foda, você pensa: “Cara, isso é foda.” Essa empolgação transparece no seu vídeo e isso é 100% genuíno. E é aonde gostaríamos de chegar sempre.
Por que isso é importante?
Por que isso é importante, mano? Por quê? Porque o trabalho de ser youtuber muitas vezes é solitário e pode, dependendo do assunto que você vai falar ou dependendo da coisa específica que você vai fazer, ter algumas partes do processo que são chatas.
Algumas partes do processo de tudo são chatas. Tudo que você for fazer na vida vai ter partes chatas. E algumas partes do processo de ser um youtuber são chatas também.
Quando você se livra do medo, você consegue acessar essa empolgação fazendo o que você está fazendo. E, quando você se empolga, você se torna confiante o suficiente até para fazer piadas, fazer brincadeiras, para revelar mais e mais sobre a sua personalidade, para deixar transparecer no vídeo a pessoa por trás dele.
E, quando você faz isso, você torna mais pessoal o seu trabalho. Você torna ele mais divertido e torna mais legal. Até as partes chatas de ser um youtuber se tornam mais interessantes.
A identidade do youtuber
Quando você está pessoalmente envolvido no que você faz, o que já é a base de todo mundo que está aqui dentro da Próxima Peça. Todo mundo aqui meio que já é pessoalmente envolvido com o que faz, sabe? Porque todo mundo youtuber é profissional porque gosta do que faz.
Então, meio que essa parte já está resolvida para a gente. Você pode se apoiar na identidade de generalista curioso e interessado. É a melhor definição de um youtuber.
Porque ser youtuber é produzir conteúdo infinito para sempre. Se você quer ser um youtuber, você vai fazer conteúdo para sempre. E, geralmente, você vai fazer de temas diferentes, o que envolve você trabalhar com temas que você não conhece, pesquisar coisas que você não conhece.
Não tenha medo dos especialistas
E aí, meu caro aluno, você pode se deparar com especialistas. Gente foda na área. E esse tipo de gente bota medo em você.
Você vai olhar aquilo e vai falar: “Cara, eu sou um merda. Quem sou eu para falar de como o amor afeta a biologia dos cérebros? Tem esse cara aqui que estudou dez anos para falar desse negócio. Eu vou vir aqui e vou querer falar.”
Tipo, você vai pensar esse tipo de coisa. Só que o seu trabalho é exatamente esse. É ser um generalista interessado e preocupado.
Passar o interesse adiante
Passar o seu interesse adiante é o ápice. Por exemplo, tem um aluno no Anual, que o nome dele é Aina. Quando ele viu o vídeo de Charles Bukowski, ele foi ler Charles Bukowski e amou os livros do cara.
E, tipo, ele provavelmente hoje sabe muito mais do que eu sobre Charles Bukowski. Só que eu consegui passar um interesse meu adiante para uma pessoa através de um vídeo no YouTube.
E eu creio que esse seja o ápice da felicidade de um youtuber, sabe? Tipo, passar o seu interesse adiante. Fazer outra pessoa, que não conhece uma coisa que você conhece, se tornar interessada em algo que você é interessado.
Cara, isso é maravilhoso.
Para escrever, você precisa se soltar
E, para escrever, você precisa se soltar. Você vai perceber que, durante o processo solitário, a solitude da escrita, você precisa estar em um ambiente em que pode fechar a porta e ficar sozinho para conseguir escrever de boa.
Você não vai conseguir escrever com gente entrando, com gente interrompendo. Você não vai conseguir escrever vendo qualquer outra coisa, escrevendo dez minutinhos, indo fazer outra coisa e voltando daqui meia hora para escrever. Não é assim.
Geralmente você senta sozinho em um lugar e escreve.
Empolgação vem depois do medo
E, para você se empolgar fazendo uma coisa sozinho, isso é coisa meio de louco, né? Tipo, você tem que se empolgar sozinho digitando num teclado. Sabe? Tipo, escrita é isso.
E, para você se empolgar, para você se soltar, você precisa se empolgar. Aí, para você se empolgar, você precisa se livrar do medo.
E isso, acima de tudo, vem com você saber que a sua identidade é de generalista, curioso, interessado. Principalmente interessado. Você é um interessado. Você não é um especialista. Você é um interessado.
Não precisa se comparar com outras pessoas. Dessa forma você vai conseguir escrever bem melhor.